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O clube do milhão

23

Abril

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 15:28

 

Sérgio Almeida


Miguel Sousa Tavares é o mais recente escritor português a atingir a fasquia do milhão de exemplares vendidos, um clube de acesso restrito ao qual pertencem nomes como os de Margarida Rebelo Pinto e José Rodrigues dos Santos, a léguas, porém, da dupla Ana Maria Magalhães/Isabel Alçada, recordistas absolutas de vendas.

Com 7.5 milhões de exemplares vendidos apenas na coleção Uma aventura” - a celebrar 30 anos de existência e 54 títulos já publicados -, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada são as líderes incontestadas da tabela de escritores mais vendidos em Portugal.

A popularidade dos seus livros não é sequer recente: apenas os dois primeiros livros da série, Uma aventura na cidade e Uma aventura nas férias de Natal, venderam 523 mil exemplares. Mas o êxito da série, cujo total de edições ascende a 495, extravasa os livros. Ao longo dos anos, deu origem a filmes (Uma aventura na casa assombrada”, de Carlos Coelho da Silva), séries televisivas e até concursos literários, em que participaram já 30 mil alunos de centenas de escolas de todo o país.

O número total de exemplares vendidos pela dupla será ainda muito superior, já que não inclui as outras seis coleções, igualmente dirigidas a um público juvenil e com um forte caráter didático, como são os casos de “Viagens no tempo”,História e lendas, “Quero ser” ou “Descobrimentos Portugal”.

A soma astronómica, mesmo a nível internacional, das vendas dos principais 'best-sellers' em Portugal pode causar estranheza num mercado reconhecidamente limitado como o nosso. Uma evidência que o editor José Prata, da Lua de Papel, reconhece, ao afirmar que “Portugal é um país muito pequeno, onde estranhamente os livros mais vendidos rivalizam em número com os de países bem maiores. Esse comportamento bizarro dá uma ideia distorcida do mercado”.

O mistério não é de difícil resolução: entre os livros mais vendidos, que esgotam sucessivas edições e figuram nos lugares cimeiros das tabelas durante meses a fio, e os que vêm imediatamente a seguir na procura dos leitores há um fosso enorme, revelador dos próprios desequilíbrios do país. A descida contínua das tiragens é a prova de que, exceptuando os tais best-sellers, normalmente reservados às grandes editoras, o número de títulos que logra ir além da primeira edição é diminuto.

A marca já atingida por José Rodrigues dos Santos (JRS), Margarida Rebelo Pinto (MRP) e Miguel Sousa Tavares (MST) é ainda mais notável porque foi obtida num período não superior a 10 anos. Sousa Tavares, por exemplo, alcançou o número mágico com apenas seis títulos, com destaque para Equador”.

Os 350 mil exemplares fazem deste romance o mais vendido na última década, ombreando com o 'best-seller' de Dan Brown, O Código Da Vinci. Para assinalar o feito, a editora Oficina do Livro vai lançar novas edições dos seus dois principais romances, “com novas capas e direccionados para novos leitores”.

Mais rápido ainda foi o reconhecimento comercial de JRS, que pertence ao “clube” desde Dezembro de 2009. Oito dos romances do pivô da RTP venderam mais de 100 mil e O Códex 632 ultrapassou mesmo os 200 mil.

No rol de autores mais vendidos encontra-se ainda MRP, que, segundo a editora Clube do Autor, já vendeu em Portugal um milhão e 162 mil livros. “Sei lá” continua a ser o título mais vendido da sua obra, mas “Não há coincidências” e o recente “Minha querida Inês” também encontraram um eco favorável junto do público.

Portugal é o principal mercado deste trio de autores mas não o único. Só no Brasil, MST já vendeu 250 mil, além de estar publicado em mais uma dezena de países. Traduzidos para 18 idiomas, os títulos de JRS têm conhecido vendas interessantes em países como a Holanda, Estados Unidos e Brasil.

Quanto a MRP, vendeu até à data 182 mil livros em países como o Brasil, França, Espanha, Itália e Alemanha, num total de 18 edições.

A celebrada autores de livros para a juventude e infância Alice Vieira e o historiador são outros dos escritores portugueses sinónimos de vendas elevadas, embora o JN não tenha conseguido apurar junto das respetivas editora o número de livros já vendidos por cada um.

Mais virado para o mercado internacional, o escritor portuense Luís Miguel Rocha terá vendido apenas com o polémico “O último Papa” meio milhão de exemplares, número que lhe permitiu um feito único: ser o primeiro escritor português na lista dos mais vendidos do “New York Times”. A mentira sagrada”, publicado no ano passado, foi um dos livros mais vendidos em Portugal no ano passado, com perto de 50 mil exemplares.

Apesar de ser avesso à componente mais comercial dos livros, que considera mercantil e indigna da verdadeira literatura, António Lobo Antunes será, na teoria, outro dos nomes cuja obra já vendeu mais de um milhão de exemplares apenas em Portugal.

Confirma-o não só a legião de seguidores do autor de Tratado das paixões da alma, mas a própria extensão da sua bibliografia, de que fazem parte mais de 30 títulos, entre os quais obras com sucessivas edições, como Memória de elefante“, “Os cus de Judas”, “Fado alexandrino” ou “A explicação dos pássaros”, apenas para citar alguns dos mais antigos.

Essa suspeita esbarra, porém, no secretismo que a Editora Dom Quixote faz questão de manter em redor dos seus números de vendas, razão pela qual todos os esforços feitos pelo JN nesse sentido foram infrutíferos.

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