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"Sem coragem, o amor esgota-se num instante"

26

Novembro

2012

Publicado por Sergio_Almeida às 18:47
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Sérgio Almeida 

 

A narração da história de amor absoluto entre dois jovens tem valido a Natasa Dragnic uma popularidade internacional que, há pouco mais de um ano, nem se atreveria a imaginar. Portugal é apenas o mais recente  membro de uma lista de 25 países que já publicaram Cada dia, cada hora.

Um amor tão intenso como o que descreve neste romance só existe na literatura?

Não é difícil que duas pessoas se amem. Mais complicado é que esse amor se prolongue no tempo. No entanto, se estivermos atentos às necessidades do outro, sou da opinião que o amor pode durar muito.

Mas sermos felizes o tempo todo deve ser insuportável.

(risos) Sem dúvida. Quando o meu livro foi publicado, estava tão feliz que nem conseguia dormir. Na altura, só queria relaxar e não conseguia. A felicidade pode ser muito cansativa, sem dúvida.

Acredita mesmo que o amor pode vencer todos os obstáculos?

O amor não chega. Sem coragem, não funciona. Esgota-se logo. Temos que ser  corajosos para vivermos o amor que temos.

As sociedades contemporâneas são inimigas do amor? O tempo que uma relação necessita para florescer é precisamente o tempo que as pessoas dizem não ter...

É por essa razão que deixei de dizer que não tinha tempo. O tempo não é pouco. Está à nossa espera para que possamos usufruir dele. Não podemos atribuir ao tempo as culpas pelo que não conseguimos fazer.

A história do livro é pura ficção?

Diria que sim. Mas, como em tudo quanto escrevo há muito de mim, não tenho a absoluta certeza disso. Muitosamigos disseram-me que, ao lerem o livro, sentiam que me ouviam, tão familiar soava.

O enorme êxito do seu livro surpreendeu-a?

Tive sensações distintas. Por um lado, uma parte de mim achou que, por fim, me faziam justiça. Afinal, escrevo desde os seis anos. (risos). Por outro, saber que a história que criámos toca fundo em tanta gente, é uma grande honra e responsabilidade.

Acabou há pouco o segundo livro. É verdade que os autores não voltam a experimentar a sensação de liberdade inicial?

Não posso dizer isso, porque, quando escrevo, não penso nos leitores.

O título do livro é extraído de um verso de Pablo Neruda. A poesia é uma grande fonte de inspiração para si?

Não sou grande leitora de poesia, porque tenho alguma dificuldade em entendê-la. Sou um pouco avessa às abordagens filosóficas ou existenciais. Com Neruda, é diferente. Ele faz-me sentir. E penso que é disso que a poesia se trata – dos sentimentos, da capacidade de nos fazer sentir vivos.

Vive há longos anos na Alemanha, país que, por esta altura, não é dos mais populares em Portugal. Os alemães são assim tão difíceis, como se apregoa?

Há diferenças entre os povos. Estou mais perto do afeto dos povos do Sul, mas nunca tive razão de queixa dos alemães. Gosto de viver lá, o meu marido é alemão... Ainda bem que as nações europeias são diferentes. Quem ganha é a diversidade.

A ideia de uma união europeia não é utópica, por causa dessa diversidade?

Há uma identidade europeia. O problema que noto, como mera observadora, é que a união monetária não faz sentido sem uma lei fiscal idêntica para todos. Essa é a raiz dos problemas.

 

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