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Resultados por tag: Ensaio Nacional

Os afectos e os amuos de um cronista

26

Abril

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 13:56
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Sérgio Almeida 

 Habituados que estamos ao  tom ardiloso e politicamente correcto de muitos cronistas encartados, peritos na difícil arte de ocultar o que lhes vai na alma, estranhamos sempre, enquanto leitores, quando surge uma voz que, em vez de promover consensos, retira evidente deleite no contrário. Ou seja, na promoção de querelas e discussões que têm o condão de sacudir da letargia mesmo o mais sisudo dos seres.

É vasta a lista de “ódios de estimação” cultivados pelo autor de O Citröen que escrevia novelas mexicanas: André Sardet, os anos 80, o Benfica, os vegetarianos e até os cães, que, numa das suas mais controversas crónicas, apelidou como "um bicho completamente estúpido, que cheira mal, ladra alto e nos rouba duas horas por dia por causa do cocó".

 

Se é nas crónicas de índole provocatório que Joel Neto obtém um feed-back superior, com o hate mail correspondente, os escritos dominados pelos afectos estão longe do desinteresse, revelando uma faceta mais sensível e poética do jornalista.

 

Selecção das crónicas que Joel Neto publica há vários anos na revista Notícias Sábado, publicada semanalmente com o Jornal de Notícias, Banda sonora para um regresso a casa está dividido em quatro capítulos, cada qual com as respectivas diferenças de andamento e ritmo, como se de um disco se tratasse. 

 

TÍTULO: Banda sonora para um regresso a casa

AUTOR: Joel Neto

EDITOR: Porto Editora

PREÇO: 13.50 euros

Contra a resignação dominante

07

Fevereiro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 17:27
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 Sérgio Almeida

 

A resignação e o fatalismo ficam à margem do pensamento de D. Manuel Clemente, apostado na divulgação de uma mensagem que permita, como reza o subtítulo do presente livro, "pensar com esperança o Portugal de hoje". Súmula das principais intervenções do Bispo do Porto no campo da cultura, Porquê e Para Quê? distancia-se dos inúmeros ensaios que, nos últimos anos, se têm debruçado acerca das causas da decadência lusitana por um motivo bastante simples: enquanto a maioria se fica pelo diagnóstico – sintetizando o que já todos sabemos, ou seja, os motivos da desesperança actual , o Prémio Pessoa fornece um inestimável contributo para pôr cobro ao clima depressivo dominante, convicto de que "sem imperialismos serôdios nem injustifcáveis desistências, seremos um Portugal à altura de si mesmo, na grande largueza do mundo".

 

Apesar do título do livro, grande parte dos textos extravasa a questão identitária, abarcando temas tão variados como a cidadania, a repercussão das Invasões Francesas no catolicismo português, a igualdade ou a religião e liberdade no Porto oitocentista. Num dos escritos mais pertinentes, Educar porquê e para quê?, D. Manuel Clemente analisa o papel do Estado na questão educativa, concluindo que este deve tornar-se "mais aberto, na relação internacional e intercultural, e mais 'subsidiário', no acolhimento e estímulo dos corpos intermédios (famílias e instituições não públicas), dentro dos princípios que as declarações universais têm afirmado quanto aos direitos humanos a promover".

 

TÍTULO: Porquê e Para quê?

AUTOR: Manuel Clemente

EDITOR: Assírio & Alvim

PREÇO: 14 euros

Um retrato de corpo inteiro

06

Janeiro

2011

Publicado por Sergio_Almeida às 14:41
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Sérgio Almeida 

 

Por muito escrutinadas que já tenham sido as circunstâncias de vida de Manuel Alegre, Uma longa viagem com... o quinto volume de uma série que o jornalista João Céu e Silva dedica a grandes figuras da vida pública portuguesa – traz uma série de revelações que escapam ao tom politicamente correcto que, por norma, marca os livros similares, nos quais apenas as facetas mais convenientes são abordadas.

 

Para esse resultado final aliciante contribui não só a invulgar preparação do entrevistador (bem documentado acerca dos interesses do poeta, mesmo as mais desconhecidas do grande público) como a forma franca com que o candidato presidencial se dispôs a pronunciar-se sobre os mais variados temas, mesmo os mais sensíveis. O fim da amizade com Mário Soares é um desses exemplos.

 

Alegre não esconde o desconforto ao recordar a surpresa com que acolheu a notícia da candidatura do seu velho amigo e companheiro. Idêntica sinceridade estende-se à evocação que faz das grandes figuras históricas com quem teve ocasião de privar, com destaque para Álvaro Cunhal, a quem dedica palavras sobretudo elogiosas ("era uma figura mítica", reconhece), embora adiante ainda que "se endureceu e matou uma parte de si mesmo para poder ser como queria".

 

Neste (auto-)retrato profundo do O Ulisses português, como sublinhou a ensaísta Teresa Rita Lopes, não faltam sequer os acontecimentos mais recentes, de que é exemplo a decisão de recandidatar-se à Presidência da República. "Acho que sou um resistente", confessa, já no final do livro. Qualquer que seja o grau de simpatia ou admiração face a Manuel Alegre, Uma Longa Viagem com... deverá figurar, de agora em diante, como um documento imprescindível para um conhecimento amplo da vida e obra do autor de Praça da Canção.

 

TÍTULO: Uma Longa Viagem com Manuel Alegre

AUTOR: João Céu e Silva

EDITOR: Porto Editora

PREÇO: 16.50 euros

João Jardim Apresenta Livro Blogue Clube dos Pensadores em Gaia

03

Janeiro

2011

Publicado por elmanomadail às 12:31

O livro Blogue Clube dos Pensadores, uma reflexão de Joaquim Jorge sobre o primeiro ano da segunda legislatura de José Sócrates neste segundo mandato sem maioria absoluta, será apresentado, dia 11, por Alberto João Jardim, em Vila Nova de Gaia. Descrita como "uma aguda reflexão do que se passou desde Setembro de 2009 a Julho de 2010", a obra reúne um conjunto de publicações do blogue, que surgiu em 2006 como extensão de "O Clube dos Pensadores", clube de reflexão e debate político, que contou com a presença de várias figuras do panorama político nacional.

A apresentação estará a cargo de Alberto João Jardim, presidente do Governo Regional da Madeira e membro honorário do clube, que já marcou presença anteriormente para falar da Refundação da República. O Clube dos Pensadores assume-se como um espaço de discussão pública e exercício democrático mediado por Joaquim Jorge. O livro Blogue Clube dos Pensadores, com a chancela da Papiro Editora, é apresentado pelas 21.30 horas do dia 11 no GaiaHotel, em Vila Nova de Gaia.

Vida e Obra do Infante D. Henrique

02

Janeiro

2011

Publicado por elmanomadail às 21:23
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Sinopse (da editora): Vida e Obra do Infante D. Henrique, o título que coube a este livrinho, não se há-de entender tanto por biografia pura e resenha de feitos pessoais como por narrativa sumária da empresa histórica portuguesa desenrolada na contemporaneidade do Infante e seus tempos mais próximos, e não menos historicamente projectada na sua figura. Destinado a evocar a figura do Infante D. Henrique, este livrinho mantém-se nos naturais limites de simples narrativa. De biografia tem o indispensável para reerguer o herói na memória do comum dos portugueses nessa celebração. Enfeixando os acontecimentos de que o Infante é considerado centro e principal propulsor, não pretende ser completo, mas apenas complexivo, levando o relato aos feitos que integraram a acção henriquina e se protraem até cerca da morte de D. João II.

 

Autor: Vitorino Nemésio foi ficcionista, poeta, cronista, ensaísta, biógrafo, historiador da literatura e da cultura, jornalista e investigador, além de professor na Universidade de Lisboa. A sua obra poética inclui O Bicho Harmonioso (1938), Eu, Comovido a Oeste (1940), Nem Toda a Noite a Vida (1953) ou O Verbo e a Morte (1959), mas foi o romance Mau Tempo no Canal (1944) que lhe valeu o prémio Ricardo Malheiros.

 

TÍTULO: Vida e Obra do Infante D. Henrique

AUTOR: Vitorino Nemésio

EDITORA: Texto Editora

PREÇO: 18,90 €

Mandrágora - O Almanaque Pagão 2011

02

Janeiro

2011

Publicado por elmanomadail às 19:18

Sinopse (da editora): O Druidismo celebra a passagem da Roda do Ano através das suas oito festividades que se manifestam não só na Natureza, mas também no nosso interior. Viajando ao longo do Calendário Celta das Árvores, este é um Almanaque da Alma para que viva em pleno os ciclos mágicos da Terra de acordo com a antiga tradição dos Druidas. Um Calendário para a Vivência da Alma durante o Ano Desde os calendários megalíticos aos almanaques sumérios, gregos e egípcios, que o Tempo era o mediador das fainas terrestres da vida agrária e pastoril e das fainas mágico-religiosas da vida da alma. A função deste almanaque é de restaurar através do rito e de uma nova consciência essa época arcaica em que homens, plantas, animais e deuses conviviam em harmonia. Este é um calendário para viver o ano de uma forma artística, poética e mágica.

 

TÍTULO: MANDRÁGORA - O Almanaque Pagão 2011

AUTOR: Vários

EDITORA: Zéfiro

PREÇO: 12.50 €

A Peste Bubónica no Porto

30

Dezembro

2010

Publicado por Sergio_Almeida às 18:46

No final do século XIX, o Porto foi assolado por uma epidemia sanitária de grandes proporções que deixou a cidade num estado de sobressalto e inquietação raras vezes visto na sua longa e risca história.

 

O que se apresenta em A Peste Bubónica no Porto é um relato detalhado escrito por Ricardo Jorge, médico e professor universitário que desempenhou um papel fulcral nesse período ao empenhar-se a fundo no sentido de circunscrever os danos causados pela epidemia.

 

Essa diligência do especialista, pouco frequente na época, esteve longe de ser consensual: furiosos com o cordão sanitário imposto, os comerciantes moveram-lhe uma oposição feroz que redundaria no afastamento de Ricardo Jorge.

 

Inicialmente dirigidos às autoridades públicas, os relatórios – completos ao ponto de incluírem uma descrição exaustiva do estado de cada um dos infectados – podem ser lidos também como uma análise social pertinente. Nestes escritos encontramos o que Bruno Monteiro considera ser, em Os Anos Portuenses de Ricardo Jorge, "uma autópsia social da cidade laboriosa".

 

No prefácio, Virgílio Borges Ferreira acredita, por seu turno, que A Peste Bubónica no Porto é um livro "que pode também ser lido como um pequeno manifesto pela defesa da saúde e de higiene públicas num momento conturbado e fundador das respectivas práticas em Portugal".

 

TÍTULO: A Peste Bubónica do Porto

AUTOR: Ricardo Jorge

EDITOR: Deriva

PREÇO: 12 euros

O aforismo como síntese notável da existência

28

Dezembro

2010

Publicado por Sergio_Almeida às 15:28
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Sérgio Almeida

 

No tempo e no modo certos, um aforismo é uma síntese notável do mundo, concentrando tanto a complexidade de sentimentos como a simplicidade desarmante do que efectivamente mais importa. Diplomata de carreira durante décadas a fio, Marcello Duarte Mathias - autor de uma obra muito particular que, não se detendo em nenhum género, abraça a ficção, o ensaio e a diarística - dedica o seu novo projecto ao esforço concreto de abarcar o seu universo pessoal e literário num registo elíptico que, no seu melhor, consegue ser sedutor.

 

A infância, os amores, os livros, a morte são passados em revista sem sinal de amargura ou azedume, antes com a convicção do carácter transitório de todas as coisas. Consciente de que "envelhecer é sobretudo perder a vontade de se iludir", Marcello Duarte Mathias constrói um itinerário pessoal em que subjaz uma só certeza: "na melhor das hipóteses, a vida é uma soma de ausências; na pior, uma soma de omissões. Em definitivo, só há uma morte: a vida não-vivida".

 

TÍTULO: Brevíssimo inventário

AUTOR: Marcello Duarte Mathias

EDITOR: D. Quixote

PREÇO: 13 euros

Citações e Pensamentos de Padre António Vieira

12

Dezembro

2010

Publicado por elmanomadail às 18:30

Sinopse (da editora): António Vieira (1608-1697) foi um grande pensador e visionário, actual na forma como nos mostra o mundo e nos ensina, numa escrita sedutora de grandes efeitos, a reconhecermos a nossa parcialidade e cegueira na relação que mantemos com a realidade e os vícios pelos quais nos deixamos enredar e conduzir por ela. A partir de uma vasta obra de mais duzentos sermões, setecentas e cinquenta cartas e muitos outros escritos, este livro apresenta os textos chave de Pe. António Vieira e que permitem ao leitor usufruir do melhor de uma sabedoria acessível a todos, pertinente como nunca, num caminho de maior desprendimento do acessório da vida e a concentração no seu essencial - viver.

Autor: Paulo Neves da Silva é licenciado em Matemáticas Aplicadas. Exerce a sua actividade profissional na área do desenvolvimento de software a nível nacional e internacional. Desde sempre um apaixonado pela leitura, empenhou-se, desde 2000, pela pesquisa e recolha de citações bem como excertos de textos e poemas que classifica tematicamente e que partilha livremente através de um site que foi o mentor, o Citador. Foi o organizador dos bestsellers Citações e Pensamentos de Fernando Pessoa, Citações e Pensamentos de Friedrich Nietzsche, Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva e, mais recentemente Citações e Pensamentos de Eça de Queirós.

TÍTULO: Citações e Pensamentos de Padre António Vieira

AUTOR: Paulo Neves da Silva

EDITORA: Casa das Letras

PREÇO: 12 €

"O inimigo n.º 1 de Salazar" retrata a história "fascinante" de Henrique Galvão

06

Dezembro

2010

Publicado por elmanomadail às 12:26

O jornalista Pedro Jorge Castro, autor do livro O inimigo n.º 1 de Salazar, sobre a vida de Henrique Galvão, que liderou o assalto ao navio Santa Maria, considera a sua história um "enredo absolutamente fascinante". "A vida deste homem tem ingredientes que muitos romances não têm", disse o autor na sessão do lançamento nacional da obra, que decorreu em Leiria, explicando que o livro "começou antes de acabar" o anterior, "Salazar e os Milionários", publicado no ano passado.

 

Pedro Jorge Castro, natural de Leiria, adiantou que foi ao deparar-se, na Torre do Tombo, com o processo da fuga de Henrique Galvão do Hospital de Santa Maria que nasceu o desejo de conhecer a vida do oposicionista ao regime liderado por Oliveira Salazar. Segundo o escritor, para fazer a obra consultou oito fontes documentais, desde a Torre do Tombo ao arquivo da Polícia Judiciária e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e realizou entrevistas a pessoas que estiveram envolvidas nas acções mediáticas protagonizadas pela personagem e de algumas das suas vítimas.

 

Na apresentação do livro, Henrique Neto, também ele um activista político na oposição ao antigo regime, disse que "há muitas coisas escritas sobre Salazar e sobre Humberto Delgado, mas há muita coisa que fica ainda de fora, principalmente em relação aos movimentos oposicionistas".

 

"Mas são fases muito interessantes e é pena que não haja um trabalho mais aturado sobre esses acontecimentos ligados aos movimentos diversos que iam surgindo e morrendo ao longo deste período", declarou, desafiando o autor a escrever sobre o papel do distrito de Leiria na oposição ao regime. A este propósito lembrou os nomes de Vasco da Gama Fernandes ou José Henriques Vareda, "personagens de uma fase em que o movimento oposicionista nacional dependeu muito de Leiria".

 

Sobre Henrique Galvão, Henrique Neto disse ser uma "figura mítica", que integrou uma das três categorias de oposição ao regime, a dos "revolucionários aventureiros". As duas restantes, esclareceu o antigo empresário, são a categoria encabeçada pelo PCP e os movimentos legais ou para legais, onde "Leiria teve a sua importância".

 

Descrevendo Henrique Galvão como um "homem de uma coragem invulgar", "sedutor", "ambicioso", "carismático", mas também "desiludido com o regime ideologicamente", Henrique Neto considerou que o seu objectivo era "procurar a glória e deixar uma marca na História portuguesa", mesmo que para isso tivesse de "arriscar a sua própria vida".

 

"O livro reflecte muito - e só assim se pode compreender - a complexidade da luta anti salazarista", acrescentou, recordando os dois "feitos mais mediáticos" de Henrique Galvão: o assalto ao navio Santa Maria e a "honra do primeiro sequestro de um avião comercial para fins políticos", que executou "com uma mestria notável".

 

Para Henrique Neto, o protagonista do livro, que "parece que se move pelo ódio a Salazar e o desejo de liberdade", era patriótico e "aspirava a um Portugal grande". "Figura emblemática, era capaz dos feitos mais heróicos, de actos de coragem, com um pouco de loucura à mistura", acrescentou Henrique Neto, que foi candidato da Oposição Democrática pelo distrito de Leiria nas eleições de 1969.

Mandela - A Construção de Um Homem

13

Novembro

2010

Publicado por elmanomadail às 19:20

Sinopse (da editora): Num trabalho assinado por António Mateus, jornalista com um conhecimento ímpar dos assuntos africanos e testemunha dos principais momentos do fim do apartheid e de reconciliação da África do Sul, Mandela – A Construção de um Homem é uma viagem ao lado humano de alguém que se tornou, nas suas palavras, o homem mais solitário do mundo, enquanto lutava pela harmonia global. Com base no contacto pessoal, em experiências directas, análise e pesquisa histórica, o leitor é testemunha do sofrimento e das privações de Nelson Mandela ao longo de quase três décadas, mas também do visionarismo, da modéstia e da grandeza de um ser humano que se reconstruiu e é hoje admirado por milhões de pessoas e exemplo de esperança para toda a humanidade.

 

Autor: António Mateus é jornalista desde 1983. Após a libertação de Nelson Mandela, em 1990, foi destacado para a África do Sul como delegado da agência LUSA, onde permaneceu dez anos. Antes, assumira iguais funções em Maputo, depois do acidente que vitimou Samora Machel e a maioria da comitiva que acompanhava o presidente moçambicano numa viagem ao estrangeiro. Entrevistou inúmeras personalidades mundiais, como Nelson Mandela, Desmond Tutu, Chester Croker, Joaquim Chissano ou Frederik de Klerk. Foi o director-fundador da revista Focus, editor de Política Internacional da RTP, sendo actualmente redactor da informação diária da RTP. É autor dos livros Homens Vestidos de Peles Diferentes e Selva Urbana.

 

TÍTULO: Mandela – A Construção de um Homem

AUTOR: António Mateus

EDITORA: Oficina do Livro

PREÇO: 14,90 €

As Vidas dos Outros

01

Novembro

2010

Publicado por elmanomadail às 15:22

Sinopse (da editora): Escreveu Rui Ramos que "Pedro Mexia reuniu neste livro os seus exercícios num género pouco comum em Portugal: o ensaio erudito, em que a erudição entra como "base" da reflexão moral e do divertimento culto. Tentar dar conta do que passa por aqui seria como tentar resumir uma enciclopédia. Há de tudo, numa sequência imprevisível: Epicuro no seu jardim ateniense, Paulo na estrada de Damasco, um rei que escreve sobre depressões, um duque que vende Ticianos, os esqueletos de Vesalius, o coração "irrequieto" de Händel, a confissão de Luís XV, os pavões de Darwin, Baudelaire fotografado por Nadar, a sorte do general Custer, a "cabeça feroz" de Sandokan, o mais célebre urinol do mundo, o último voo de Leslie Howard, um músico num campo de concentração, o chão pisado por Francis Bacon, a pessoa que era Frank Sinatra, o postal que era Audrey Hepburn, um grande escritor que se chamou J.G. Ballard, uma morte em Chappaquiddick, as cuecas de Tracey Emin. Não procuremos o fio condutor. Os labirintos só têm graça quando nos perdemos neles".

 

Autor: Pedro Mexia nasceu em Lisboa, em 1972. Licenciou-se em Direito pela Universidade Católica. Entre 1998 e 2007 fez crítica literária no Diário de Notícias. É desde 2007 crítico no jornal Público, onde também assina uma crónica semana. Faz parte do programa semanal Governo Sombra, da TSF. Publicou os livros de poemas Duplo Império (1999), Em Memória (2000), Avalanche (2001), Eliot e Outras Observações (2003), Vida Oculta (2004) e Senhor Fantasma (2007). Publicou também três volumes de diários - Fora do Mundo (2004), Prova de Vida (2007) e Estado Civil (2009) - e duas colectâneas de crónicas - Primeira Pessoa (2006) e Nada de Melancolia (2008). Estreou-se como autor de teatro em Nada de Dois, editado em 2009 e com estreia no Brasil em 2010. Organizou e prefaciou o volume de ensaios de Agustina Bessa-Luís Contemplação Carinhosa da Angústia. Traduziu Notas sobre o Cinematógrafo, do cineasta francês Robert Bresson. Adaptou para teatro (com Ricardo Araújo Pereira) Como Fazer Coisas com Palavras, do filósofo inglês John Austin. É sua a versão traduzida de Agora a Sério, de Tom Stoppard, que encenou no Teatro Aberto em 2010.

 

TÍTULO: As Vidas dos Outros

AUTOR: Pedro Mexia

EDITORA: Tinta da China

PREÇO: 16,00 €

Uma Vida Talhada nas Páginas dos Livros

29

Outubro

2010

Publicado por Sergio_Almeida às 20:54
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Sérgio Almeida

 

Se o género diarístico ou epistolar nunca gozou de particular atenção ou prestígio no contexto literário português, tal fatalismo jamais poderá ser assacado a Miguel Torga.

 

Com os seus notáveis Diários, o escritor transmontano que se rendeu ao encanto de Coimbra não passou apenas a integrar o reduzido lote de escritores nacionais – encimados porventura pelo espinhense Manuel Laranjeira – que conferiram a este género particular uma importância até então reduzida.

 

Ao expor e fixar a sua visão do mundo num amplo conjunto de textos escritos durante mais de meio século, Torga assegurou uma via aberta para o seu pensamento que permitiu a todos quantos o seguiam através dos livros aperceber-se da rara sensibilidade que jamais o largava, mesmo quando a fama de homem austero e difícil se sobrepunha à realidade.

 

Da leituras dos oito volumes iniciais – agora reeditados pela D. Quixote em dois livros autónomos, apresentando um design atractivo capaz de chegar a novos leitores – perpassa a intensa comunhão com a Natureza e o elevado sentido ético sempre manifestados por Miguel Torga. Se a inclusão dos poemas está longe de revelar-se decisiva para o monumento literário que é a diarística de Torga, o mesmo não se dirá das agudas reflexões do autor sobre a arte, os livros, a política e o sentido da existência, que mantêm, em larga medida, o interesse inicial.

 

A grande vantagem de ver reunidos num só livro tantos volumes é a possibilidade de confronto, ou seja, aquilatarmo-nos directamente de como o pensamento do ficcionista foi-se transformando com o decorrer dos anos. Coerente e metódico nos seus hábitos quotidianos, o médico-escritor era-o também na literatura: exceptuando uma propensão para o pessimismo que se foi acentuando nos últimos anos de vida, a percepção das coisas e a intransigência moral mantiveram-se até ao fim dos dias de Miguel Torga. Em 1937, um ainda jovem escritor confessava que desejava "uma vida que não acabasse com a última pancada do coração". A atenção que a sua obra ainda merece prova que os esforços de Miguel Torga não foram em vão.

 

TÍTULO: Diário (volumes I a IV e v a VIII)

AUTOR: Miguel Torga

EDITOR: D. Quixote

PREÇO: 25 euros

A Transição Impossível

25

Outubro

2010

Publicado por elmanomadail às 10:52

Sinopse (da editora): Este livro parte da ruptura de Francisco Sá Carneiro com Marcello Caetano para explicar a impossibilidade de transição de um regime autoritário para a democracia em Portugal, nos anos em que Marcello esteve à frente dos destinos do país (1968-74). A subida ao poder do novo presidente do Conselho suscitou enormes expectativas de mudança, mas a esperança de abertura do regime depressa caiu por terra. Explorando o que falhou e os motivos pelos quais fracassou o processo de transição ansiado por muitos, ocupa lugar cimeiro o argumento de que Marcello Caetano foi sempre um homem avesso à democracia, que se manteve inconvertível até ao fim. A guerra no Ultramar como entrave para a liberalização, a falta de entendimento com a "ala liberal" e a possibilidade de ter havido equívocos iniciais entre personalidades do regime e aqueles que aceitaram integrar, na qualidade de independentes, as listas da União Nacional nas eleições de 1969 são aqui também destacadas. O livro percorre a luta da "ala liberal", defensora de uma transição de regime pacífica e faseada, vinda de dentro, mostrando a revisão constitucional de 1971 e as eleições presidenciais do ano seguinte como as grandes oportunidades perdidas por Marcello Caetano – ensejo para uma transição de regime que, sob o seu comando, se revelava impossível.

 

Autora: Joana Reis nasceu em 1980, em Sintra. Jornalista na secção de política da TVI desde 2004, é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa e mestre em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Políticos da mesma instituição. Este livro é justamente o resultado da sua tese de mestrado.

 

TÍTULO: A Transição Impossível

AUTOR: Joana Reis

EDITORA: Casa das Letras

PREÇO: 16,50 €

A impossibilidade de se não ser religioso

17

Outubro

2010

Publicado por elmanomadail às 9:22
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Elmano Madail

 

Se nada do que é humano nos pode ser indiferente, então mais humano não haverá do que o sentido do religioso. De acordo com Anselmo Borges, padre e teólogo brilhante que, graças à ao saber sólido e à docência universitária (agora em Coimbra), traduz em termos simples conceitos complexos, releva da própria condição de humano a necessidade de um diálogo inter-religioso, ainda mais urgente para evitar um trágico choque de civilizações, provável nesta era dos extremos.

 

Por um lado, porque nasce inacabado geneticamente – o tempo de gestação deveria ser de 20 meses, e não nove – e culturalmente, o Homem é um ser em processo, que se vai fazendo. Mas faz-se com o outro, que não é adjacente, mas antes constitutivo dele. Por ouro lado, o Homem não pode deixar de ser religioso porque, confrontado com a finitude, que tem a sua máxima expressão na consciência da morte, é compelido a articular um mundo simbólico de esperança e de sentido último. Melhor dito por Borges, "não é ousado afirmar que todo o ser humano é religioso na medida em que é confrontado com a pergunta pela ultimidade. Só poderíamos falar de irreligiosidade no caso de alguém se contentar com a imediaticidade empírica, recusando todo e qualquer movimento de transcendimento". No limite, o ateísmo puro seria silencioso, porque não colocaria, sequer, a questão do Absoluto, do Transcendente ou Deus, no caso das religiões monoteístas.

 

Assim, é lógico que o diálogo se estabeleça entre as várias religiões – e Borges enumera as sete principais (Hinduísmo, Budismo, Taoísmo, Confucionismo, Judaísmo, Islamismo e Cristianismo), sumariando os fundamentos de cada qual –, que não são mais do que aproximações diversas da ultimidade, sem que uma seja mais perfeita ou verdadeira do que outra. E para este diálogo Borges convoca até os ateus, porque estando fora, terão uma percepção mais correcta dos defeitos e limitações das religiões, nessa busca de aperfeiçoamento comum. Rumo à Verdade e è exaltação da dignidade humana.

 

Um pequeno grande livro e contributo maior para um debate fundamental.

 

TÍTULO: Religião e Diálogo Inter-Religioso

AUTOR: Anselmo Borges

EDITORA: Imprensa da Universidade de Coimbra

PREÇO: 8,50 €


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