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Alimentação vegetariana para bebés e crianças

domingo, 27 de Março de 2011 0:00

 Gabriela Oliveira, jornalista, é vegetariana e mãe de três filhos com 11 e 5 anos e 7 meses, também vegetarianos. É autora do livro “Alimentação vegetariana para bebés e crianças” (Arte Plural Edições), uma espécie de manual para vegetarianos que vão ser pais e têm dúvidas se devem manter o seu regime na alimentação dos seus bebés, para mães e pais vegetarianos que não sabem cozinhar muito bem ou precisam de ideias, para famílias omnívoras que querem aliviar o consumo de carne e peixe e introduzir algumas refeições vegetarianas na ementa semanal. “É uma boa maneira de variar os alimentos e ensinar as crianças a não serem esquisitas”, diz a autora. O livro é a reedição da primeira obra, lançada em 2006, e sai esta sexta-feira, dia 25 de Março, para as livrarias com um preço de 10 euros.

“Alimentação vegetariana para bebés e crianças” é sobretudo um livro para pais e mães, que começa por desfazer preconceitos e dúvidas porque, salienta a autora, mesmo os pais vegetarianos são assaltados pelo receio de que o regime vegetariano não seja suficiente em termos nutricionais para as crianças. E, embora a cultura alimentar esteja a mudar e o vegetarianismo se tenha tornado mais comum, ainda há resistência e estranheza. “Quando estava grávida do meu primeiro filho já era vegetariana e as enfermeiras diziam-me 'Veja lá se sabe o que está a fazer, tenha cuidado'. Ainda não há muitas crianças vegetarianas porque ainda há muito receio que a alimentação vegetariana não seja suficiente na infãncia”, conta Gabriela Oliveira, que tem três filhos saudáveis, vegetarianos desde o útero.

“Vegetariano in utero – gravidez saudável” é, aliás, um dos temas abordados no livro, que é essecialmente prático. Nas primeiras páginas, descreve os princípios do regime vegetariano e os seus alimentos essenciais, explicando como obter as proteínas necessárias e a quantidade necessária de ferro, falando ainda do “leite” de origem vegetal e das associações favoráveis dos alimentos. Em seguida, no capítulo “Crescer vegetariano”, Gabriela Oliveira fala de gravidez saudável, da introdução dos alimentos no primeiro ano de vida, dos alimentos em função da idade e também daqueles a evitar. A introdução faseada dos alimentos é mais importante do que parece, sublinha a autora, que alerta para um mito comum em torno de vegetarianos: “As pessoas pensam que, se um alimento é de origem vegetal, pode dar-se tudo à vontade. Não é bem assim porque não se pode dar leguminosas a bebés, por exemplo. E é preciso saber a partir de que idade se podem dar as proteínas vegetais”. Para coligir todas estas preciosas informações, consultou livros ingleses e norte-americanos aquando do nascimento do primeiro filho.

Lendo as instruções de Gabriela, criar um filho vegetariano parece ter o mesmo grau de dificuldade do que criar um filho omnívoro. Há regras na mesma, só que em vez de se falar de carne ou peixe, fala-se de seitan e tofu.O importante é garantir que a alimentação tenha proteínas, esclarecendo aqui que a autora é ovo-lacto-vegetariana e não vegan, o regime vegetariano que exclui todos os alimentos de origem animal. O último capítulo do livro tem mais de 80 receitas para fazer comida vegetariana para bebés e crianças: primeiras papas, sopas e purés de legumes, pratos com soja, tofu e seitan, hambúrgueres e croquetes, empadas e tartes de vegetais, panquecas, pudins e gelatinas, bolos e biscoitos.

No livro, Gabriela quis, de certa forma, tornar acessível a outras mães e pais um conhecimento que demorou muito tempo a adquirir e consolidar. Salienta ser preciso falar de escolhas com os filhos. Ela é vegetariana por não querer consumir um alimento cuja produção assenta no sofrimento de animais, que torna a sua criação uma indústria ambientalmente insustentável. A dada altura, explicou aos filhos essa opção. “Para as crianças serem vegetarianas, é importante que tenham motivação e entendam a razão dessa opção. Não se deve formar uma criança no que toca à alimentação a não ser, obviamente, nas coisas óbvias”, refere a autora.
 
No que toca à vida social da família, a jornalista diz que “hoje em dia, é muito fácil ser ovo-lacto-vegetariano”: “Há sempre omoletes nos restaurantes e há muitos restaurantes de comida italiana, onde se pode comer pizzas”. Quanto ao abastecimento da despensa, tem-se tornado mais fácil com o aumento de pontos de venda de alimentos vegetarianos, como a soja e o tofu, que se vendem já nos supermercados comuns. E o preço pode compensar, além dos benefícios para a saúde, advoga. “A alimentação vegetariana pode ser mais barata do que a alimentação com peixe e com carne, pode fazer-se uma alimentação vegetariana a baixo custo”.

A viver em Lisboa, Gabriela não teve muita dificuldade em manter o regime alimentar no Jardim de Infância e na escola, ainda que tenha levado os alimentos de proteína vegetal para o infantário. “Comiam o mesmo que os outros, só trocavam a carne e o peixe pela proteína vegetal”. Só na escola teve que intervir para pedir que variassem mais a ementa do filho mais velho e não lhe servissem sempre ovos. Lembra que, mediante a apresentação de uma declaração médica (no seu caso) ou de um responsável religioso ( no caso dos vegetarianos por razões religiosas), as escolas têm que fornecer refeições vegetarianas às crianças. Dora Mota

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Maria Cláudia Monteiro: claudia@jn.pt

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