sábado, 22 de Novembro de 2008 11:06 jmfc

Dias Loureiro, António Marta e Miguel Beleza.

Dias Loureiro, antigo ministro da Administração Interna de um governo de Cavaco Silva. Actual Conselheiro de Estado do presidente da República, Cavaco Silva.

Miguel Beleza, antigo ministro das Finanças de um governo de Cavaco Silva.

Dias Loureiro, como ex-administrador do BPN e da sua dona, a SLN, pediu para ser ouvido no Parlamento. A maioria socialista recusou. Foi ouvido pela televisão pública, a RTP.

Da entrevista, para mim confusa e pouco clara, continuei cheio de dúvidas.  Afirmou que, estando no topo da hierarquia, em diversas funções, sempre desconheceu o que de mal e fraudolento se fazia no seu banco. Apenas sentia, de quando em vez, um cheirinho esquisito nalguns negócios e contabilidades.

Por isso, foi uma vez ter com o vice-governador do Banco de Portugal, António Marta, para lhe dizer dos seus cuidados. É que ele tinha lá todo o seu dinheiro, no banco que também era seu, no banco em que mandava, e temia ficar sem ele!

Para o encontro pediu a intermediação de um correligionário de partido e também ex-ministro, Miguel Beleza. Não explicou, nem eu compreendo como uma figura pública do seu relevo, banqueiro na altura, não tivesse acesso directo ao governador ou aos seus vices para uma entrevista.

O certo é que Miguel Beleza veio confirmar que intermediou o encontro com António Marta. Logo houve um encontro entre ambos, em que foi abordado o BPN.

Dias Loureiro diz que pediu ao vice-governador muita atenção sobre o que se passava dentro do BPN. Tinha medo de perder a sua fortuna. Não podesse ele, meter os milhões nos bolsos, ou se neles não coubessem carregá-los em malas e levá-los para outro banco. O que veio, posteriormente, a fazer, disse-o.

António Marta, confirmou a conversa tida com Dias Loureiro, mas relata tudo ao contrário.Que este lhe foi dizer que o BPN era um banco sério e que os seus donos e administradores eram pessoas de bem. Que  o Banco de Portugal não andasse a perseguir o BPN. E conclui dizendo que de Dias Loureiro foram estas as suas palavras. Se outras houve, não foram com ele, António Marta.

 

Estamos, pois, perante uma mentira grosseira por parte de alguém que pretende fugir à responsabilidade de uma conduta vergonhosa, mafiosa.

Ou Dias Loureiro mente para alijar as suas responsabilidades no caso BPN, ou mente António Marta, que como vice-governador do Banco de Portugal tinha a obrigação de, a partir dessa altura, fazer um exame profundo ao funcionamento do BPN.

É assim que um mentiroso envolve uma pessoa séria, honesta, exemplar. Lança a confusão, a dúvida, através da mentira. Divulgada através da comunicação social, o vigarista fica um pouco mais limpo e o cidadão honesto sujo. Enquanto a Justiça tarda o enxovalho permanece. Quando Justiça é feita, sai o borrão mas continua lá a impressão.

 

 

 

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