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Campanha telefónica para salvar o priolo dos Açores

05/03

2013

às 20:00

 A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) lançou uma nova campanha de angariação de fundos, recorrendo a uma linha telefónica, para financiar a conservação do priolo, ave ameaçada de extinção que só existe em S. Miguel (Açores).

 
"Temos estado a procurar várias ideias para encontrar formas de manter o esforço e o trabalho realizado para a continuação do habitat do Priolo", afirmou à Lusa Joaquim Teodósio, da SPEA e coordenador do Life Laurissilva Sustentável.

 
A campanha de financiamento internacional 'crowdfunding' (financiado pela sociedade civil), e que arrancou em janeiro, tinha o objetivo de angariar 28 mil dólares (21.500 euros), e, segundo Joaquim Teodósio, "chegou quase aos 50% do objetivo, o que significa que ainda há um longo caminho" para atingir a meta em termos financeiros.

 
Apesar da campanha internacional ter recebido apoios dos "quatro cantos do mundo", Joaquim Teodósio admitiu que seja uma fase complicada para angariar donativos, tendo em conta a crise, mas sublinhou que foi possível, também, "uma grande divulgação do projeto e do priolo".

 
"Pode não ter atingido a meta em termos financeiros, mas foi muito bom na divulgação do projeto", sublinhou, acrescentando que a campanha telefónica vai permitir "chegar a mais pessoas e continuar o processo de angariação de fundos para a conservação do priolo".

 
Lembrou que o projeto "termina em junho", embora tenha sido "prolongado até aquele mês, mas sem acréscimo de orçamento".

 
Joaquim Teodósio explicou que, com uma simples chamada (760455565), que "tem o custo de menos de um euro", qualquer pessoa pode contribuir para os trabalhos de conservação necessários para evitar a degradação do habitat do priolo e ainda garantir a manutenção de 22 postos de trabalho.

 
O dinheiro vai ser utilizado para continuar o trabalho de conservação do priolo que uma equipa de 22 pessoas realiza, designadamente através da replantação da floresta laurissilva na ilha de S. Miguel e do controlo das "plantas invasoras" que ameaçam o habitat da pequena ave, uma das mais ameaçadas da Europa, vincou.

 
A linha de valor acrescentado vai funcionar, pelo menos, durante os próximos meses, mas Joaquim Teodósio acrescentou que o objetivo passa também pela manutenção do projeto a longo prazo.

 
"Estamos a tentar encontrar outras formas e outras fontes de apoio e de financiamento para continuar os trabalhos, por isso é importante o apoio de todos seja de particulares ou entidades, porque é um trabalho com excelentes resultados e uma causa que merece o máximo apoio", frisou.

 
Em 1990, existiam apenas cerca de 300 indivíduos da espécie, só em dois concelhos açorianos, encontrando-se à beira da extinção, e o programa de recuperação, financiado pela Comissão Europeia e pelo Governo dos Açores, permitiu que a população do priolo atingisse cerca de mil aves.

 
A ave depende da floresta Laurissilva e que tem vindo a ser invadida por espécies de plantas exóticas.

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Governo alarga zonas de proteção de aves selvagens nas Berlengas

17/05

2012

às 20:21

 

O Governo alargou a zona de proteção das aves selvagens nas Berlengas, ao largo de Peniche, numa portaria publicada hoje em Diário da República.


O decreto-lei publicado vem alterar a zona de proteção, de modo a incluir as áreas de alimentação e repouso da cagarra, uma espécie de ave selvagem ali existente.


A alteração, que decorre também de uma diretiva comunitária, tem como objetivo "assegurar a efetiva salvaguarda dos valores naturais em presença", nomeadamente as áreas de "importância excecional para a conservação das aves selvagens".


As Berlengas apresentam desde características geológicas únicas, a um relevo escarpado em que são comuns a formação de grutas e fendas terrestres e submarinas.


A sua localização contribui para a produtividade e diversidade de espécies e de habitats marinhos, bem como para uma paisagem única na região.


Nas ilhas nidificam seis espécies de aves marinhas: duas espécies de gaivotas, a cagarra (ou pardela), o corvo marinho, o airo e o roque-de-castro.


O arquipélago das Berlengas foi classificado em 2011 como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e tem estatuto de reserva natural desde 1981.


A importância da conservação desta área natural à escala Europeia foi reconhecida em 1997, ao ser classificada como Sítio da Rede Natura 2000 ao abrigo da Diretiva Habitats.


Em 1999 foi classificada como Zona de Proteção Especial para as Aves Selvagens ao abrigo da Directiva Aves.


Além destes estatutos, encontra-se ainda classificada pelo Conselho da Europa como Reserva Biogenética.

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Aves marinhas são as mais ameaçadas do Mundo

23/03

2012

às 20:01

 

As aves marinhas são as mais ameaçadas e muitas espécies poderão até extinguir-se, sendo a família dos albatrozes a mais atingida, e os defensores dos pássaros referem a necessidade de identificar áreas importantes para proteção legal.



A revisão da lista de aves publicada esta semana, na revista científica Bird Conservation International (conservação internacional de aves), refere que, das 346 espécies de aves marinhas, 97 estão globalmente ameaçadas, ou seja, 28 por cento, e outras 35 estão muito perto de atingir o mesmo estatuto.



O coordenador do Programa Marinho Europeu da BirdLife International, representada em Portugal pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), disse hoje à agência Lusa que este trabalho "veio confirmar que as aves marinhas são o grupo de aves mais ameaçado a nível global, muito acima de outras espécies, como os papagaios, ou algumas espécies ligadas a ecossistemas mais terrestres", como as florestas tropicais.



"Muitíssimas espécies estão fortemente ameaçadas e poderão até extinguir-se, sobretudo por causa das pescas", frisou Iván Ramírez.



Este responsável realçou que "a família dos albatrozes é a que está mais ameaçada, pois praticamente 80 por cento das espécies de albatrozes estão na classificação de gravemente ameaçada ou perto da extinção".



Estas são aves que se encontram muito ligadas a determinadas artes de pesca, nomeadamente no hemisfério sul, ficam apanhadas pelos anzóis e morrem afogadas quando estão à procura de alimento.



Do segundo grupo de aves marinhas ameaçadas, fazem parte duas espécies que aparecem em Portugal, a freira-da-Madeira e a freira-do-búgio, nidificantes e endémicas, ou seja, "só existem e nidificam em Portugal".



Neste caso, a "ameaça" está ligada à terra, pois deve-se à "presença de mamíferos que apanham os juvenis ou os ovos", mas não se sabe ainda qual o seu comportamento quando estão no mar, referiu o responsável da SPEA.



Iván Ramírez apontou ainda o painho do monteiro, que nidifica em algumas ilhas dos Açores, igualmente "fortemente ameaçado".



Portugal, um dos países com uma das maiores áreas económicas exclusivas do mundo, tem como "primeira responsabilidade identificar quais as áreas importantes para estas aves no mar [para] alguma proteção legal específica", defendeu.



A segunda medida proposta é perceber o nível de interação entre as pescas e as aves marinhas, pois "em Portugal não existe informação suficiente para dizer que as pescas não representam um problema para as aves marinhas no mar".



A terceira prioridade, "que já está a ser implementada com muito êxito, nomeadamente na Madeira, é evitar que os ninhos sejam atacados por mamíferos, ratos, ratazanas, coelhos ou cabras", disse ainda.



A informação divulgada pela SPEA refere, além do estudo das consequências da pesca, que é necessário "prevenir outras fontes de ameaças emergentes, como a aquicultura, as operações de geração de energia e as alterações climáticas".

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Apreensão de aves ilegais bateu recorde em Portugal em 2011

26/02

2012

às 20:10

 

Portugal registou em 2011 a sua maior apreensão anual de aves ilegais de sempre, com a descoberta de 150 ovos que cruzaram o Oceano Atlântico de avião, colados ao corpo de "correios" contratados por traficantes.

Segundo fonte do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), os ovos foram apreendidos em seis momentos diferentes e eram de espécies da América do Sul. Um terço dos animais não sobreviveu à viagem.


Os papagaios, tucanos e araras transportados, alguns deles em risco de extinção, possuem valor de mercado entre 500 euros e 70 mil euros cada um, segundo João Loureiro, coordenador da Unidade de Aplicação das Convenções Internacionais do ICNB.

"Apesar do aumento das apreensões, sabemos que a quantidade descoberta não representa nem 10 por cento do que chega ao país", afirma Loureiro.

Portugal é uma das principais portas de entrada do tráfico de animais recolhidos na América do Sul e levados para a Europa, e a rota acaba por ser bastante utilizada devido ao grande número de voos provenientes do Brasil. Espanha e alguns países do Leste Europeu também são usados pelos traficantes.

O tráfico de animais movimenta cerca de 10 mil milhões de dólares ao ano (7,5 mil milhões de euros) e é hoje o terceiro maior comércio ilegal, atrás somente do de armas e do de drogas, de acordo com a Secretaria da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), que tem sede em Genebra.

"Na maioria das vezes é usada a mesma rota para o tráfico de drogas e o de animais e, em muitas delas, é o mesmo grupo que faz as duas coisas", diz Liliane Garcia Ferreira, promotora de São Paulo e oficial de apoio na Cites.



João Loureiro afirma, inclusive, que traficantes de drogas usam os animais ilegais para branquear o dinheiro do tráfico. Outro motivador do comércio ilegal, diz, é a alta procura europeia por animais de companhia, que supera a quantidade disponível no mercado legal.

E a fiscalização do comércio de animais é bastante difícil. Os ovos, transportados enrolados em meias e amarrados à barriga dos "correios", não são detetados pelos aparelhos de raios-X nos aeroportos. A isso Loureiro atribui as pequenas apreensões dos anos anteriores, que não passavam de 50 ovos por ano.

Para barrar esse tráfico, a Cites trabalha na capacitação e formação das autoridades responsáveis de diversos países. Na América do Sul, há a Organização do Tratado de Cooperação Amazónica, que também actua na preservação das espécies.

João Loureiro explica que, em Portugal, a legislação se tornou mais restritiva para impedir tanto a entrada do animal ilegal como a sua reprodução.

A espécie criada em cativeiro legalmente é sempre identificada por uma marca e por um documento de origem. Os proprietários também precisam de um registro específico.

O aumento das apreensões de aves exóticas comercializadas ilegalmente tem causado a lotação dos parques portugueses, já que problemas sanitários impedem que elas sejam enviadas de volta aos países de origem.

"Ficamos com os animais e gastamos dezenas de milhares de euros com eles todos os meses, sem ter uma mais-valia", afirma João Loureiro, coordenador da Unidade de Aplicação das Convenções Internacionais do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Os 90 animais que sobreviveram às apreensões no ano passado estão em parques e zoológicos, mas não são expostos ao público.

O regresso desses animais ao país de origem ainda não é possível devido a barreiras sanitárias para a prevenção da gripe aviária, mas o problema está a ser estudado, segundo Loureiro.

E o desequilíbrio não é causado somente no país receptor do tráfico. O ecossistema de onde esses animais são retirados também acaba prejudicado, assim como as comunidades locais.

Um exemplo é o galo das serras do Pará (Rupicola rupicola), que não existe no mercado legal por estar em risco de extinção no seu habitat natural. Entre as apreensões do ano passado, no entanto, foram encontrados ovos da espécie e nenhuma das aves sobreviveu.

A retirada dos animais do seu ambiente é, geralmente, feita por pessoas em más condições financeiras, contratadas pelos traficantes.


Podem ser tanto moradores de aldeias, indígenas, ou europeus, que ganham uma viagem de poucos dias à América do Sul, algo que não poderiam pagar, e voltam com os ovos junto ao corpo.

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Pássaros fêmea também são atraídas por cantos menos elaborados

16/02

2012

às 20:30

 

Alguns pássaros atraem as fêmeas com cantos simples e mostram a sua habilidade na forma como cantam, constatação que contraria a ideia de que as fêmeas preferem parceiros com cantigas complexas, reconhecendo versatibilidade na selecção sexual.



O estudo comparativo sobre o canto de um grupo particular de aves, as felosas do Novo Mundo, foi desenvolvido por Gonçalo Cardoso, da Universidade do Porto, e Yang Hu, da Universidade de Melbourne, na Australia, e publicado no jornal da American Society of Naturalists.



As conclusões do trabalho apontam para que a selecção sexual possa ser uma força muito mais versátil na evolução do que se pensava antes.



"O nosso objectivo é tentar explicar a razão da diversidade, porque é que algumas aves têm cantos muito elaborados e outras têm cantos muito simples, quando aparentemente todos desempenham a mesma função": atrair as fêmeas e competir com outros machos, no seu território, explicou Gonçalo Cardoso à agência Lusa.



É aceite pelos especialistas que a elaboração dos cantos serve uma função de atracção de fêmeas e na selecção sexual visando a reprodução, e na competição com os outros machos.



O cientista refere "um paradoxo" pois, "quando se olha para a variedade de espécies que existe e os diferentes níveis de selecção sexual, ou seja, de competição por parceiros, estes não estão relacionados com a elaboração dos cantos nas aves".



Na comparação de felosas do Novo Mundo, foram analisados vários aspectos do canto, não só "a elaboração, mas também a performance [desempenho] vocal ou quão difíceis são as canções".



Gonçalo Cardoso disse que "o resultado principal foi que algumas espécies têm cantos bastante complexos, com grande repertórios de sílabas, e outras espécies têm cantos muito simples, em que grande parte do canto é só repetir a mesma sílaba, mais ou menos rapidamente".



O facto de o canto ser composto somente por uma ou duas sílabas, sucessivamente repetidas, não significa simplicidade, já que as canções podem ser "fisiologicamente mais difíceis, são mais difíceis de cantar para as possibilidades vocais", pormenorizou o especialista.



Assim, diferentes espécies enfatizam diferentes aspectos do seu canto, ou elaboração e complexidade ou alto desempenho vocal, mostrando habilidade, com repetição ou mudança rápida de frequência de som.



Para Gonçalo Cardoso, "este caso é um exemplo bastante claro de diferentes espécies a evoluir sobre uma pressão selectiva semelhante, competição por fêmeas, competição entre machos. Diferentes espécies nas mesmas circunstâncias evoluem em direcções que não são só diferentes, são opostas".

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Parlamento catalão autoriza caça de 60 mil aves canoras

30/11

2011

às 19:39

O Parlamento catalão aprovou hoje um decreto que altera a lei de protecção dos animais, permitindo a captura de mais de 60 mil pássaros canoras, de forma excepcional e transitória, até ao final do ano, segundo o jornal espanhol ABC.



A lei proíbe também o uso de cola para a captura dessas aves, retira-as da lista de espécies protegidas e elimina o limite do número de fêmeas caçadas para efeitos de reprodução em cativeiro.



O decreto foi aprovado por ampla maioria e permite, durante seis meses, a captura, exposição, posse e reprodução em cativeiro destas espécies, entre as quais se destacam o tentilhão, o verdilhão, o pintassilgo e o pintarroxo.



Várias associações ambientalistas alertaram os 135 deputados do Parlamento que a autorização para a caça de aves canoras viola a legislação espanhola e europeia.

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Ave mais pequena da Europa vive nos Açores

29/10

2011

às 20:14

 

O Governo dos Açores decidiu incluir medidas específicas de conservação do habitat natural da 'Estrelinha-de-Santa-Maria', uma das mais raras aves da Europa, nas acções de conservação da laurissilva do Sítio Protegido do Pico Alto, em Santa Maria.



“Trata-se de uma ave gravívora, que depende da vegetação natural de grãos, que é muito reduzida na ilha de Santa Maria", afirmou Álamo Menezes, secretário regional do Ambiente, em declarações à Lusa, acrescentando que as medidas agora decididas envolvem "a substituição da vegetação invasora por vegetação natural".



Álamo Menezes salientou ainda que esta ave, a mais pequena da Europa, com um peso entre três e cinco gramas, "não tem inimigos naturais, ninguém a caça", pelo que o seu problema "é a falta de habitat".



O projecto de conservação hoje decidido pelo executivo regional servirá também, segundo o secretário regional, para "avaliar o estado da população" desta pequena ave e definir medidas adequadas à sua conservação.



"É uma ave muito pequena, que faz voos muito curtos pelo que cria endemismos em ilhas, já que não consegue voar distâncias longas", frisou.



No arquipélago dos Açores existem três subespécies desta ave, sendo a de Santa Maria a mais pequena e a mais ameaçada, estando classificada em risco crítico de extinção.



As duas outras subespécies existem em S. Miguel e nas ilhas do Grupo Central.

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Parques eólicos causam mais mortes de aves do que o previsto nos estudos

26/09

2011

às 21:39

Os estudos de impacte ambiental a que se recorrem em todo o mundo para dar luz verde ou chumbar a instalação de um parque eólico não são viáveis, segundo um estudo publicado no “Journal of Applied Ecology” , citado pelo jornal espanhol Público.

 

A equipa de investigadores afirma que as estimativas prévias não coincidem com o número de mortes de aves registado quando os parques entram em funcionamento. Em Espanha morrem todos os anos, por este motivo, cerca de 400 aves.

 

“A ferramente de avaliação do impacto dos parques não é fiável”, explica o investigador principal do estudo, Miguel Ferrer, da Estação Biológica de Doñana. Este responsável assegura que nos últimos anos foram autorizados parques eólicos que, segundo os estudos de impacte ambiental, eram seguros para as aves, mas onde a mortalidade destes animais é bastante elevada.

 

O principal problema reside no facto de os estudos realizados até agora “terem em conta toda a área do parque nas suas estimativas”, quando na realidade deveriam fazer os cálculos para cada um dos moinhos.

 

“As aves não se distribuem uniformemente por todo o parque, já que os seus voos dependem do terreno e da velocidade do vento”, explica Miguel Ferrer. O mesmo investigador assegura que no mesmo parque pode haver moinhos que provoquem muitas mortes ao lado de outros que apenas têm impacto. “Fizemos várias simulações que nos permitem ver quais são os moinhos perigosos”, referiu.

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Aves conseguem ver cores invisíveis aos seres humanos

28/06

2011

às 11:00

A natureza não dotou apenas as aves de uma exuberante gama de cores na sua
plumagem. Desenvolveu-lhes também o sentido de visão, de tal forma que as aves
distinguem um maior número de cores do que os seres humanos, segundo um estudo
publicado na revista Behavioral Ecology, citado pelo jornal El Mundo.

 

A sua retina contém cones adicionais muito sensíveis à gama ultravioleta, o que lhes permite ver cores invisíveis ao Homem, como o amarelo ultravioleta. A investigação, realizada por cientistas das universidades de Harvard (EUA) e de Cambridge (Reino Unido), revela que há largos milhões de anos, a plumagem das aves evoluiu dando origem a novos pigmentos e cores estruturais. Assim, as penas de cores pálidas deram origem às actuais cores exuberantes.

 

“As nossas roupas eram bastante monótonas antes da invenção dos corantes. Depois, tingir os tecidos tornou-se barato, o que originou a explosão de cores que conhecemos hoje. Algo semelhante parece ter acontecido com os pássaros”, explicou Richard Prum, um dos investigadores.

 

Há algum tempo que os cientistas consideram que as cores da plumagem têm funções diferentes. Por exemplo, servem para camuflar, emitir sinais a outros animais ou na fase de acasalamento para atrair o parceiro.

 

Com o passar do tempo, as aves foram evoluindo até atingirem uma combinação de cores que inclui vários pigmentos de melanina (a mesma substância que dá cor à nossa pele), carotenóides (que resulta da dieta alimentar) e cores estruturais (como o azul da cor dos olhos humanos).

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13% das aves do mundo estão em perigo de extinção

14/06

2011

às 18:25

De acordo com a Lista Vermelha de 2011, da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), divulgada na semana passad, encontra-se em perigo de extinção o maior número de espécies de aves de sempre. Este ano, o número subiu para 1253, representando 13% do total das espécies de todo o mundo. Mas nem tudo são más notícias, adianta a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA): entre as espécies que viram o seu estatuto melhorado consta o Pombo-trocaz da ilha da Madeira.

A Abetarda-da-índia (Ardeotis nigriceps) subiu na lista para “Criticamente em Perigo”, o maior nível de ameaça. A caça, a perturbação perda de habitat e a sua fragmentação, contribuíram para reduzir a população desta magnífica espécie para cerca de 250 indivíduos. Com um metro de altura, pesando quase 15 kg, esta ave já teve uma larga dispersão, pelos campos da Índia e do Paquistão, mas agora está restrita a fragmentos pequenos e isolados do restante do habitat.


Este é um dos exemplos mais flagrantes de como um número cada vez maior de aves entra em risco de extinção. Stuart Butchart, coordenador Global de Pesquisa da BirdLife International, afirma que "as aves são uma espécie de janela para o resto da natureza. Elas são indicadores muito úteis da saúde do ecossistema: se elas estão mal, então o mesmo acontece à fauna em geral". Leon Bennun, director da Ciência e da Política da BirdLife International afirma que "num mundo cada vez mais lotado, as espécies que precisam de muito espaço, como a Abetarda-da-índia, estão a desaparecer. No entanto, o ser humano é o que sai mais a perder a longo prazo, com a perda dos serviços que a natureza lhe proporciona".

No caso de Portugal, no entanto, existem boas notícias para o Pombo-trocaz (Columba trocaz), que já não se encontra num nível de perigo tão elevado e foi promovido do estatuto de ‘Quase Ameaçado’ para a categoria de ‘Pouco Preocupante’, na sequência das medidas de conservação efectuadas na Madeira e da protecção que a espécie tem no Parque Natural da Madeira. Contudo, Luís Costa, director executivo da SPEA, salienta que “este resultado é um prémio para a continuação do trabalho de conservação, e não um sinal que o trabalho terminou. A floresta de laurissilva é um sistema frágil que deve ser valorizado e alvo de medidas de conservação da natureza para que possamos manter o objectivo da salvaguarda do nosso património e biodiversidade.”

Por outro lado, fora de território nacional, em São Tomé e Príncipe, algumas das aves que surgem na Lista Vermelha, apresentam, segundo alguns investigadores portugueses, um risco de extinção mais acentuado do que aquele que realmente aparece mencionado nesta publicação. O Pombo-de-são-tomé, por exemplo, aparece como uma espécie “Quase Ameaçado”, contudo segundo Mariana Carvalho, a realizar um estudo de doutoramento sobre a caça em São Tomé, este devia ser reclassificado como “Em perigo”, uma vez que há claros indícios do declínio da população. Esta situação é devida sobretudo à pressão da caça sobre esta espécie por parte dos habitantes locais.

A SPEA colabora anualmente com a BirdLife International e a União Internacional para a Conservação da Natureza para a actualização e avaliação das espécies em risco de extinção. Actualmente existem em Portugal 9 espécies em risco de extinção, com as categorias de “Vulnerável”, “Em Perigo” ou “Criticamente em Perigo”. Já na actualização do ano anterior uma espécie nacional foi retirada da lista de espécies Criticamente em Perigo: o Priolo.

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Cagarros em lua de mel nos Açores

13/06

2011

às 18:30

Desde o início deste mês que é possível acompanhar o dia-a-dia de um casal de cagarros que construiu um ninho na ilha açoriana do Corvo, graças à instalação de uma camâra de vídeo por parte da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. O programa "Lua de Mel no Corvo", integrado no projecto Ilhas Santuário para Aves Marinhas, permite conhecer melhor esta ave marinha emblemática dos Açores, que tem por hábito nidificar em cavidades no solo ou em falésias inacessíveis e é noctívaga.

Para Pedro Geraldes, coordenador deste programa, o esforço realizado foi já recompensado pela ocupação do ninho seleccionado e a postura de um ovo no Dia da Criança, 1 de Junho, "é um bom augúrio para esta iniciativa". Nos Açores nidifica a grande maioria da população destas aves, pelo que Portugal tem responsabilidades acrescidas na sua protecção, sublinha o mesmo responsável.

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Curso de Identificação de Aves de Rapina

31/05

2011

às 10:30

  Foto: Direitos Reservados

A Birds & Nature Tours organiza, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB), um Curso de Identificação de Rapinas. A iniciativa realiza-se entre os dias 10 a 12 de Junho, na Reserva Natural do Estuário do Tejo e no Parque Natural do Vale do Guadiana (parte prática) e no Hotel Al Foz, em Alcochete (parte teórica).

 

A inscrição custa 90 euros (80 euros no caso de duas ou mais inscrições) e inclui acompanhamento técnico permanente do formador/guia, manual do curso, checklist das espécies a observar, certificado de participação, utilização de binóculos, telescópios e guias de identificação de aves, seguro de acidentes pessoais e IVA.

 

É expectável que sejam observadas numerosas espécies, como por exemplo a Águia-real, a Águia-imperial-ibérica, a Águia de Bonelli, a Águia-calçada, o Milhafre-preto, o Peneireiro-cinzento, o Peneireiro-das-torres, o Peneireiro-comum, o Grifo, o Abutre-preto, a Coruja-do-mato e o Mocho-galego.

 

As inscrições podem ser feitas através do site da Birds&Nature ou através do telefone número 91 329 99 90

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Soldados malaios suspensos por matarem um calau bicorne

08/04

2011

às 21:16

  Foto: Traffic

Cinco soldados malaios que mataram um calau bicorne (Buceros bicornis), uma espécie protegida internacionalmente, e que colocaram uma fotografia sua a agarrar a ave morta foram suspensos de funções e aguardam julgamento, segundo o site Traffic. A noticia gerou um forte protesto nacional e internacional.



Numa recente declaração à imprensa, o ministro da Defesa da Malásia, Datuk Seri Dr Ahmad Zaid Hamidi, afirmou que a investigação entretanto levada a cabo concluíu que a ave tinha sido morta a tiro por caçadores. “A ave caiu no chão e eles apanharam-na”, explicou. Contudo, acrescentou, apesar de não serem os responsáveis pela morte do calau bicorne, os soldados deveriam ter tentado salvá-la.



O caso prendeu a atenção pública depois de um jornal local o ter noticiado, estando agora a ser investigado pelo Departamento de Parques Naturais e Vida Selvagem. “Este é só mais um exemplo do envolvimento do Exército na caça ilegal”, acusa William Schaedla, director regional do Traffic par ao sudoeste asiático.

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Detidos de prisão sul-africana cuidam de aves bebés

04/04

2011

às 10:32

Fotos: Associated France Press

Os ruídos próprios da prisão são cortados por uma explosão de pássaros canoros, enquanto Bernard Mitchell, um condenado por homicídio, com o corpo tatuado e dentes de ouro, beija ternamente um papagaio com apenas cinco semanas. “Eles pensam que eu sou mãe deles, são como que meus filhos”, diz à AFP, enquanto tenta arrefecer o mingau quente com que vai alimentar a ave. Bernard Mitchell, de 41 anos, é um dos participantes num projecto desenvolvido na prisão de Pollsmoor, na Cidade do Cabo, África do Sul, que consiste em atribuir aos prisioneiros aves bebés para que tomem conta delas.



“Eles tocam-te”, conta Bernard. “Eu nunca fui uma pessoa muito sensível, sempre fui muito agressivo. Estava sempre envolvido em confusões e tinha má reputação na prisão”. E acrescenta: “Os pássaros ensinaram-me a ser paciente. Eu não posso ser agressivo com eles. Tenho que amá-los, tratar deles, alimentá-los. Tudo”.



Detido pela primeira vez aos 14 anos, este antigo gangster é o coordenador do “Correctional Bird Project”. O peso de cada ave bebé é registado diariamente. Elas são alimentadas a cada duas horas para que a plumagem cresça saudável e possam depois ser vendidas. O projecto arrancou em 1997, pelo então director da prisão, Wikus Gresse, que sempre acreditou que os animais tinham o poder de conseguir recuperar até o mais duro dos criminosos. “Você pode ser um criminoso. Pode ter feito coisas muito perigosas. Mas eu defendo que, na prisão, você tem que demonstrar que é capaz de mudar e que quer uma vida diferente, melhor”, afirmou à AFP.

 


O projecto é auto-financiado e há cada vez mais prisioneiros a querem participar. As vagas são limitadas a cerca de uma dúzia de detidos, que são sujeitos a um treino e têm que prometer que abandonam os gangues, as drogas e os cigarros. Em contrapartida, aprendem como organizar reuniões e têm direito a uma cela só para si com 6,25 metros quadrados (normalmente, é dividida com mais dois prisioneiros).



Afagando o estômago de um papagaio do Senegal, confortavelmente deitado na sua mão, Lento Kindo, 31 anos, conta que é muito difícil deixar os pássaros ir quando arranjam um novo dono. “É muito triste”, sublinha. “É como se estivessemos a dar os nossos filhos a outra pessoa”.


O “Correctional Bird Project” remete-nos para o filme “O prisioneiro de Alcatraz” (1962), protagonizado por Burt Lancaster, que conta a história real de Robert Straut que durante o cativeiro se ocupou a recuperar aves doentes ou feridas.

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Colisão de aves com objectos de grande dimensão deve-se à forma como elas vêem o mundo

29/03

2011

às 10:30

 

Desde as vidraças dos edifícios, aos fios dos postos de electricidade até às turbinas eólicas, muitas espécies de aves têm uma propensão para colidir com objectos de grande dimensão fabricados pelo Homem. Mesmo que para nós, seres humanos, seja difícil de entender porquê. Um novo estudo científico, citado pelo Science Daily, aponta novos caminhos sobre a forma como as aves vêem o mundo e por que razão lhes é tão difícil de evitar objectos de tal dimensão. Em termos sucintos, quando estão a voar, as aves detectam o movimento e não os detalhes espaciais.



O problema da colisão das aves é bastante preocupante para os conservacionistas. Várias pesquisas têm demonstrado que a colisão com artefactos humanos é a principal causa de morte não intencional de aves, podendo colocar em risco a sobrevivências várias espécies ameaçadas. Na Europa, tendo em conta os últimos 16 anos, estima-se que 25% dos juvenis e 6% dos adultos da Cegonha Branca (Ciconia ciconia) tenham morrido anualmente devido à colisão com os fios dos postos de electricidade e por electrocussão.



“Do ponto de vista humano, é muito estranho que as aves colidam com objectos de grande envergadura, como se estas não os vissem de todo. Sabemos que o voo das aves é, antes de mais, controlado pela visão, mas elas vêem o mundo de forma muito diferente dos homens”, explica Graham Martin, da Universidade de Birmigham, em Inglaterra.



Para compreender melhor como é que as aves vêem o mundo, Graham Martin utilizou a ecologia sensorial, que estuda a forma como a informação sensorial influência o comportamento dos animais e a sua interacção com o meio ambiente. “Quando estão a voar, as aves podem virar a cabeça para olhar para baixo, com o campo binocular ou com a parte lateral do campo de visão de um dos olhos”, refere Graham Martin. “Este comportamento faz com que, temporariamente, as aves fiquem cegas relativamente à direcção em que estão a voar”.



O mesmo investigador adianta que a visão frontal das aves está ajustada para detectar o movimento e não os detalhes espaciais. Quando uma ave está a caçar, é mais importante concentrar-se no movimento do que olhar em frente no espaço vazio. Além de que, para muitas espécies, é quase impossível voarem a baixas velocidades, o que faz com que seja muito difícil ajustarem a informação que obtém quando a visibilidade é reduzida pela chuva, névoa ou luzes baixas.



“Com esta informação, podemos encontrar soluções para evitar as colisões das aves”, acrescenta Graham Martin. “Talvez seja mais eficaz distrair ou desviar do seu trajecto de voo, através de sons ou de sinais, em vez tornar o perigo ainda mais evidente".

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